sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Aniversário da Academia Marginal de Letras

NOSSO PATRONO FRANÇOIS VILLÓN

De Villon - famoso não mais por sua obra do que pelo percurso marginal - ficou uma obra sólida e uma biografia inexata, de que não se confirmam fatos, datas, pessoas. Sabe-se que ele nasceu em 1431, em Paris, chamado François de Montecorbier (adotando posteriormente o Villon de seu pai adotivo); cursou bacharelado e recebeu grau de Mestre em Artes da Universidade de Paris; mudou-se da capital francesa após matar um padre numa briga de rua em 1455; perdoado, voltou no ano seguinte, mas logo, com alguns comparsas, assaltou um colégio e partiu novamente, para fugir, outra vez, da lei; viveu algumas passagens por prisões francesas (Meung-sur-Loire, Châtelet), para, após sua prisão em 1462, por participar de outra rixa, ser condenado à morte; entretanto, mais uma vez perdoado, sua pena foi a de banimento de Paris, e desapareceu definitivamente. Não se sabe quando, onde e em que condições morreu.

Já quanto à sua obra, publicada mais de 25 anos após seu desaparecimento, pode-se dizer que é muito mais definida e definitiva. São centenas de poemas, de construção rigorosa e inter-relacionados, em que se pode ler o fim da era medieval e o nascimento da moderna, em baladas irônicas que desde então atravessam os séculos despertando o interesse de leitores, poetas e estudiosos de todas as línguas.

(...) ao demonstrar porque para ele amor e dinheiro estavam sempre confundidos. O amor, para a vida de Villon, era aquele pelo qual se paga, o das prostitutas: "Se elas amam só pelo ouro,/ Vai-se a elas por uma hora./ Pois dão-se a todos com desdouro/ E riem, quando a bolsa chora." E, na extensão de suas críticas à sociedade da época, todo amor, mesmo o selado por casamento, era pago: "Deve-se amar o que à honra apraz./ Resta saber se as de má fama,/ Com quem bom acordo se faz,/ Não já foram honestas damas."

Lembre-se que Villon atravessou, descendo, a sociedade francesa, se não desde a alta burguesia, ao menos desde posições muito mais privilegiadas que aquelas em que viveu os últimos anos "conhecidos" de sua vida, indo do Mestrado em Artes à escória.

E o poeta deste Poesia denuncia o tempo todo essa sua vida, sendo possível até mesmo imaginar o conjunto de sua obra como uma Commedia às avessas, igualmente composta de infernos, purgatórios e paraísos, de que ele era protagonista e narrador, mas em que, sempre ao contrário do que viveu o Dante personagem, as coisas eram todas reais e urgentes: "Vai carta, correndo, e salta,/ Mesmo sem pés e sem língua: Vai dizer que morro à míngua/ E que a penúria me assalta." Na Commedia de Villon, as mulheres não são ideais, não há grandes homens ou feitos importantes. O que há é a vida crua, com putas, canalhas e imoralidades, num cortante depoimento sobre as condições em que o poeta e sua época se encontravam na França ao final da Idade Média.

As "obras" de Villon apresentam-se sob títulos que nos permitem imaginar um poeta constantemente sob o signo da morte, vislumbrando que sua sina era sofrê-la repentina, injustificada, inominadamente, como, de fato, sofreu, e que poderia, apressado, legar ao futuro apenas a sua poesia, a sua visão, as suas dúvidas: "Um seco e negro escovilhão,/ Não teve tenda ou pavilhão/ Que já não houvesse legado,/ E não tem mais que algum tostão/ Que logo mais terá findado" - este era Villon.

Ezra Pound - que muito o admirava, lendo-o, estranhamente, como um poeta "destituído de imaginação", "quase que destituído de arte" - dizia que a força de Villon está em não pedir desculpas e afirmava: "Villon ocupa lugar único na literatura porque é o único poeta a não ter ilusões"; e mais à frente: "(...) ele canta as coisas tais como são. Ousa revelar-se. Sua depravação não é uma atitude cultivada para efeito literário."

(Interessante, ao ler Villon e pensar na relação vida-obra que nele é de extrema relevância, imaginar e lamentar... o que leríamos na poesia de outro mito francês, Arthur Rimbaud, se tivesse optado por mudar de vida, mantendo-se a escrever poemas. Rimbaud, sem dúvida, teve suas razões, por mais insondáveis que nos pareçam, para abandonar a poesia, assim como Villon, mas não sabemos se este continuou escrevendo após seu banimento de Paris, quando sumiu em definitivo, se não pelo fato de a obra por eles deixada, inquestionavelmente, ombrear, e mais vezes ainda superar, a de tantos poetas de melhor sorte e fama.) Por seus antecedentes, Villon não é exatamente o tipo de pessoa que abrigaríamos em casa, mas esta Poesia, em edição bilíngüe, realmente merece trazer em sua capa a indicação de que é "indispensável a qualquer biblioteca de literatura e poesia digna desse nome, e a todo apaixonado da arte do verso" - se não pela carga poética da vida que ali é contada, ao menos pela carga de vida da poesia de alguém que, sem pés, salta e, sem língua, diz: o bandido François de Montcorbier, o poeta François Villon.

Retirado de: http://www.terra.com.br/diversao/2000/07/22/015.htm

Mais informações sobre o primeiro poeta maldito da historia da literatura:


Poema com que nos presenteou Ilvana.


Cadeiras/Acadêmicos:

  1. Dalberto Gomes
  2. Marisa Queiroz
  3. Adriana Vieira
  4. Esperando Leitor
  5. Arli Pacheco
  6. Sonia Viana
  7. Beatriz provasi
  8. Leila Andrade
  9. Ilvana de Oliveira
  10. Fabio Fabrício Fabretti
  11. Paulo Otavio
  12. Xaxu
  13. Isa Blue
  14. Lena Moraes
  15. Daniel Novik
  16. Marcelo Kará
  17. Sheyla de Castilho
  18. Dvj Batata
  19. Bayard Tonelli
  20. Helena Schilling
  21. Raul de Barros Jr.
  22. Berbel
  23. Rafael Couto
  24. Leão Leibovich
  25. Arnaldo Brandão
  26. Allan Sommer
  27. Charles Teony
  28. Macau
  29. André Fadul
  30. Zezé Motta
  31. Malu Solimeo
  32. Daniel Rolim
  33. Black Paul
  34. Mauricio Biango
  35. Danny Borges
  36. Flá Perez
  37. Danilo Marques
  38. Mauricio Ludewig

Foi maravilhoso e divertido. Nas mesas haviam giz de cera e imagens eróticas e poéticas para colorir. Na frente do palco, pendurados, livros e lingeries. Para completar uma Drag entrou e começou a “cantar” Poema... foi uma noite bem maluca.

Peço desculpas ao Raul de Barros Jr. e ao DaGhama que não se apresentaram e agradeço a todos pela compreensão do valor na porta (quase ficamos no 0 a 0 de custos do evento! Obrigada!) e pela presença e participações maravilhosas!


Mestre de Cerimônias de meia tigela

Senhoras e senhores, obrigada pela presença de todos, inicio nosso evento dizendo que com este traje pretendo ganhar o premio de mais mal vestida do ano. Por favor, votem! Como coloquei no convite que todos viessem a vontade e eu me sinto a vontade assim...

Pra eu ficar mais a vontade, vou ler um texto que eu gosto, vocês não precisam gostar muito. Pra abrir a noite, pra abrir nosso sarau.

Por favor, riam. Mesmo que não tiver graça. Eu sei que vocês pagaram 10 reais pra entrar. Então riam, riam, riam. Só pra valer a pena. Rir rejuvenesce.

Desejo a todos uma noite diferente, quase tosca, poética, trash e sexy como a lua cheia. Que venha a poesia!


Alguns avisos:

1. Hoje eu tô falando pra caramba.

2. Vocês podem sair pra fumar e voltar sem grilo.

3. O bar da casa está aberto.

4. Terminaremos as três.

5. De hora em horas vamos sortear cachaças acadêmicas, livros e CDs.

Apartir deste momento daremos inicio a nossa chata cerimônia.

A Academia Marginal de Letras (AML) é uma instituição que foi marginalmente fundada em 09 de dezembro de 2009 em um blog*. (POBREZA!)
Composta por infinitos membros (SEM TROCADILHO, POR FAVOR) efetivos e perpétuos, desde que eles assim queiram, eleitos em votação secreta e vários, vários sócios correspondentes estrangeiros de países imaginários, tem por fim o cultivo da língua e a literatura intergaláctica e sem preconceitos. E blá blá blá!


Discurso... alguém que fazer um discurso de abertura? Não? Obrigada.


Estatuto - (em construção)

Prêmios – quem se apresentou e estiver presente, se apresentará de novo e ganhará o certificado do Premio François Villon. Nosso patrono. Vamos reunir os poetas marginais numa igreja próxima no próximo domingo para acendermos umas velas pela sua alma. Deve estar confortável e quentinho no inferno.




Confirmamos as presenças de: M

o

ara, Dj Batata, Beatriz Provasi (Arnaldete n1!), Daniel Rolim, Allan Sommer, MsBom e Ida (com direito a papelzinho repetido no sorteio… ¬¬’), Flora Moraes (que ganhou livro do FFF), Rosana Kielmanowicz (Cabacinho poético! Mineira, mãe da Marion!), Hanna (envergonhada!), Helena Schilling, Carol Bagni, Rafael Couto, Black Paul, Arli Pacheco, Cintia Carvalho, Thais Motta, Danilo de Paula Couto, Fred Inglez, Ilvana de Oliveira, Viviane (cantora de jazz acanhada), Marisa Queiroz, Lia Velho de Castro Faria, Higor Áureos, Esperando Leitor, Beatriz Provasi, Malu Solimeo, Christianne Coelho, Fabíola Melo, Zezé Motta, Marta Scarezzi, Bruno e Liz (com direito a papelzinho repetido no sorteio… ¬¬’), Francisco Fialho, Paulo Otavio, Isa Blue, Giovanna Assis, Pejota, DaGhama, Dudu Perere, Marcelo Kará, Dalberto Gomes, Bayard Tonelli, Mauricio Biango, Raul de Barros Jr., Andre Fadul, Berbel, Leão Leibovich, Sonia Viana, Macau, Josias Pedrosa, Marion Amazonas, Adriana Vieira, Lena Moraes, Dani Remião, Daniel Novik, João Paulo de Lima, Fabio Fabrício Fabretti, Banda Minha Terra, entre outros que na conseguimos registrar seus nomes.

***

Esta foto abaixo (distribução de poemas reciclaveis) é a unica de autoria de Marisa. As outras são do Omar.

SÓ PRA APROVEITAR O POST:
Participação da AML na OPA! Vila Cruzeiro. Esse movimento está crescendo! Fotos de Omar Marzagão:









Mais uma vez obrigada a todos e nesta edição a Lina e á Nubia do Niño das Artes e ao garçon Marcos Paulo pela prestatividade, a Xaxu, ao Danilo Marques, ao professor (e padrasto da Lu ¬¬') Francisco Fialho pela sugestão de nosso patrono e a Lu...Luciana Arantes. Que 2011 seja um ano maravilhoso!
***
Por enquanto, a AML entrará em recesso. Até breve!
***
Fim desse post gigante! :p

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