
De Villon - famoso não mais por sua obra do que pelo percurso marginal - ficou uma obra sólida e uma biografia inexata, de que não se confirmam fatos, datas, pessoas. Sabe-se que ele nasceu em 1431, em Paris, chamado François de Montecorbier (adotando posteriormente o Villon de seu pai adotivo); cursou bacharelado e recebeu grau de Mestre em Artes da Universidade de Paris; mudou-se da capital francesa após matar um padre numa briga de rua em 1455; perdoado, voltou no ano seguinte, mas logo, com alguns comparsas, assaltou um colégio e partiu novamente, para fugir, outra vez, da lei; viveu algumas passagens por prisões francesas (Meung-sur-Loire, Châtelet), para, após sua prisão em 1462, por participar de outra rixa, ser condenado à morte; entretanto, mais uma vez perdoado, sua pena foi a de banimento de Paris, e desapareceu definitivamente. Não se sabe quando, onde e em que condições morreu.
Já quanto à sua obra, publicada mais de 25 anos após seu desaparecimento, pode-se dizer que é muito mais definida e definitiva. São centenas de poemas, de construção rigorosa e inter-relacionados, em que se pode ler o fim da era medieval e o nascimento da moderna, em baladas irônicas que desde então atravessam os séculos despertando o interesse de leitores, poetas e estudiosos de todas as línguas.
(...) ao demonstrar porque para ele amor e dinheiro estavam sempre confundidos. O amor, para a vida de Villon, era aquele pelo qual se paga, o das prostitutas: "Se elas amam só pelo ouro,/ Vai-se a elas por uma hora./ Pois dão-se a todos com desdouro/ E riem, quando a bolsa chora." E, na extensão de suas críticas à sociedade da época, todo amor, mesmo o selado por casamento, era pago: "Deve-se amar o que à honra apraz./ Resta saber se as de má fama,/ Com quem bom acordo se faz,/ Não já foram honestas damas."
Lembre-se que Villon atravessou, descendo, a sociedade francesa, se não desde a alta burguesia, ao menos desde posições muito mais privilegiadas que aquelas em que viveu os últimos anos "conhecidos" de sua vida, indo do Mestrado em Artes à escória.
E o poeta deste Poesia denuncia o tempo todo essa sua vida, sendo possível até mesmo imaginar o conjunto de sua obra como uma Commedia às avessas, igualmente composta de infernos, purgatórios e paraísos, de que ele era protagonista e narrador, mas em que, sempre ao contrário do que viveu o Dante personagem, as coisas eram todas reais e urgentes: "Vai carta, correndo, e salta,/ Mesmo sem pés e sem língua: Vai dizer que morro à míngua/ E que a penúria me assalta." Na Commedia de Villon, as mulheres não são ideais, não há grandes homens ou feitos importantes. O que há é a vida crua, com putas, canalhas e imoralidades, num cortante depoimento sobre as condições em que o poeta e sua época se encontravam na França ao final da Idade Média.
As "obras" de Villon apresentam-se sob títulos que nos permitem imaginar um poeta constantemente sob o signo da morte, vislumbrando que sua sina era sofrê-la repentina, injustificada, inominadamente, como, de fato, sofreu, e que poderia, apressado, legar ao futuro apenas a sua poesia, a sua visão, as suas dúvidas: "Um seco e negro escovilhão,/ Não teve tenda ou pavilhão/ Que já não houvesse legado,/ E não tem mais que algum tostão/ Que logo mais terá findado" - este era Villon.
Ezra Pound - que muito o admirava, lendo-o, estranhamente, como um poeta "destituído de imaginação", "quase que destituído de arte" - dizia que a força de Villon está em não pedir desculpas e afirmava: "Villon ocupa lugar único na literatura porque é o único poeta a não ter ilusões"; e mais à frente: "(...) ele canta as coisas tais como são. Ousa revelar-se. Sua depravação não é uma atitude cultivada para efeito literário."
(Interessante, ao ler Villon e pensar na relação vida-obra que nele é de extrema relevância, imaginar e lamentar... o que leríamos na poesia de outro mito francês, Arthur Rimbaud, se tivesse optado por mudar de vida, mantendo-se a escrever poemas. Rimbaud, sem dúvida, teve suas razões, por mais insondáveis que nos pareçam, para abandonar a poesia, assim como Villon, mas não sabemos se este continuou escrevendo após seu banimento de Paris, quando sumiu em definitivo, se não pelo fato de a obra por eles deixada, inquestionavelmente, ombrear, e mais vezes ainda superar, a de tantos poetas de melhor sorte e fama.) Por seus antecedentes, Villon não é exatamente o tipo de pessoa que abrigaríamos em casa, mas esta Poesia, em edição bilíngüe, realmente merece trazer em sua capa a indicação de que é "indispensável a qualquer biblioteca de literatura e poesia digna desse nome, e a todo apaixonado da arte do verso" - se não pela carga poética da vida que ali é contada, ao menos pela carga de vida da poesia de alguém que, sem pés, salta e, sem língua, diz: o bandido François de Montcorbier, o poeta François Villon.
Retirado de: http://www.terra.com.br/diversao/2000/07/22/015.htm
Mais informações sobre o primeiro poeta maldito da historia da literatura:
Todos os poetas marginais: http://felipedeamorim.opsblog.org/2010/11/18/literatura-marginal/
Societe Villon http://www.utm.edu/staff/globeg/sfvb17.shtml

Cadeiras/Acadêmicos:
- Dalberto Gomes
- Marisa Queiroz
- Adriana Vieira
- Esperando Leitor
- Arli Pacheco
- Sonia Viana
- Beatriz provasi
- Leila Andrade
- Ilvana de Oliveira
- Fabio Fabrício Fabretti
- Paulo Otavio
- Xaxu
- Isa Blue
- Lena Moraes
- Daniel Novik
- Marcelo Kará
- Sheyla de Castilho
- Dvj Batata
- Bayard Tonelli
- Helena Schilling
- Raul de Barros Jr.
- Berbel
- Rafael Couto
- Leão Leibovich
- Arnaldo Brandão
- Allan Sommer
- Charles Teony
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- André Fadul
- Zezé Motta
- Malu Solimeo
- Daniel Rolim
- Black Paul
- Mauricio Biango
- Danny Borges
- Flá Perez
- Danilo Marques
- Mauricio Ludewig

Foi maravilhoso e divertido. Nas mesas haviam giz de cera e imagens eróticas e poéticas para colorir. Na frente do palco, pendurados, livros e lingeries. Para completar uma Drag entrou e começou a “cantar” Poema... foi uma noite bem maluca.
Peço desculpas ao Raul de Barros Jr. e ao DaGhama que não se apresentaram e agradeço a todos pela compreensão do valor na porta (quase ficamos no
Mestre de Cerimônias de meia tigela
Senhoras e senhores, obrigada pela presença de todos, inicio nosso evento dizendo que com este traje pretendo ganhar o premio de mais mal vestida do ano. Por favor, votem! Como coloquei no convite que todos viessem a vontade e eu me sinto a vontade assim...
Pra eu ficar mais a vontade, vou ler um texto que eu gosto, vocês não precisam gostar muito. Pra abrir a noite, pra abrir nosso sarau.
Por favor, riam. Mesmo que não tiver graça. Eu sei que vocês pagaram 10 reais pra entrar. Então riam, riam, riam. Só pra valer a pena. Rir rejuvenesce.
Desejo a todos uma noite diferente, quase tosca, poética, trash e sexy como a lua cheia. Que venha a poesia!
Alguns avisos:
1. Hoje eu tô falando pra caramba.
2. Vocês podem sair pra fumar e voltar sem grilo.
3. O bar da casa está aberto.
4. Terminaremos as três.
5. De hora em horas vamos sortear cachaças acadêmicas, livros e CDs.
Apartir deste momento daremos inicio a nossa chata cerimônia.
A Academia Marginal de Letras (AML) é uma instituição que foi marginalmente fundada em 09 de dezembro de 2009 em um blog*. (POBREZA!)
Composta por infinitos membros (SEM TROCADILHO, POR FAVOR) efetivos e perpétuos, desde que eles assim queiram, eleitos em votação secreta e vários, vários sócios correspondentes estrangeiros de países imaginários, tem por fim o cultivo da língua e a literatura intergaláctica e sem preconceitos. E blá blá blá!
Discurso... alguém que fazer um discurso de abertura? Não? Obrigada.
Fundação – Vocês já conhecem essa historia, depois a gente dá uma lidinha no histórico do movimento.
Estatuto - (em construção)
Prêmios – quem se apresentou e estiver presente, se apresentará de novo e ganhará o certificado do Premio François Villon. Nosso patrono. Vamos reunir os poetas marginais numa igreja próxima no próximo domingo para acendermos umas velas pela sua alma. Deve estar confortável e quentinho no inferno.
Confirmamos as presenças de: M
o
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Esta foto abaixo (distribução de poemas reciclaveis) é a unica de autoria de Marisa. As outras são do Omar.









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